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Homilia da Vigília Pascal
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Ano da Vida Consagrada A comunidade das Irmãs Servas de Nossa Senhora de Fátima foi fundada, na Guarda, no dia 13 de Junho de 1933. As três Irmãs que vieram para

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Servas de Nossa Senhora de Fátima, as Irmãs da Veritas

Ano da Vida Consagrada A comunidade das Irmãs Servas de Nossa Senhora de Fátima foi fundada, na Guarda, no dia 13 de Junho de 1933. As três Irmãs que vieram para a cidade ficaram instaladas numa residência integrada na Casa “Veritas”. Como uma das Irmãs tinha carteira profissional de linotipista, entrou ao serviço da Tipografia, acumulando, depois, com o ofício de compositora mecânica e assumindo, também, a chefia de toda a oficina, onde trabalhavam diversos compositores e impressores. Mais tarde, uma outra Irmã assumiu a gerência da Casa. Além do trabalho da tipografia, as Irmãs colaboravam no serviço de escritório e no balcão da livraria.
Juntamente com a missão na “Veritas”, as Irmãs davam catequese na paróquia, desde 1945. Aos domingos, faziam a animação litúrgica dos cânticos da Eucaristia, na igreja de Nossa Senhora dos Remédios e na cadeia, e visitavam doentes, levando-lhes a sagrada comunhão. A partir da comunidade foi possível a formação de catequistas a nível de paróquia e de diocese. Em 1980 deu-se a mudança das Irmãs do edifício da Casa “Veritas” para uma casa própria da Congregação. A comunidade era, agora, constituída por mais Irmãs, trabalhando profissionalmente quatro na Casa “Veritas” e outras como professoras no ensino básico e secundário. No final de 2004, a comunidade cessou o trabalho profissional na Casa “Veritas”. Desde então, o seu objectivo passou a ser o de uma maior integração na comunidade humana e eclesial, continuando as Irmãs a colaborar na pastoral paroquial e diocesana, dedicando-se ao serviço da catequese a crianças, adolescentes e jovens, como tarefa fundamental, assim como ao serviço da liturgia e dos doentes e na acção social e de caridade. Actualmente, a comunidade, composta por quatro Irmãs, continua a assumir a catequese a crianças, as visitas a doentes e idosos, levando-lhes a sagrada comunhão, e a liturgia dominical de Vésperas, na igreja do Bonfim. Além disso, colabora em outros trabalhos pastorais, na catequese de adultos e na formação de catequistas, e faz voluntariado social junto de doentes, no Hospital da cidade e na Casa de Saúde Bento Menni. Deolinda Serralheiro, Superiora da comunidade, disse ao Jornal A Guarda que “as Irmãs amam a cidade da Guarda, como sua cidade, com a sua população e cultura”. Explicou que procuram adaptar-se às suas características, “expressas nos cinco F’s, nomeadamente no F do frio”. “Apreciamos as pessoas da Guarda, que são muito amáveis e acolhedoras, crentes e criativas”, referiu. Deolinda Serralheiro disse ainda que as Irmãs gostariam de “poder colaborar mais junto das novas gerações, onde mais se fazem sentir as necessidades de formação e de animação religiosa”, mas não lhes é possível. E acrescentou: “Reflectimos e rezamos todas as necessidades da Igreja e da sociedade local e acreditamos que uma nova ‘primavera’ há-de despontar”. Fundada em 1923 por Luiza Andaluz, em Santarém, a Congregação das Servas de Nossa Senhora de Fátima, neste momento, está presente em Portugal nos lugares de Lamego, Aveiro, Fátima, Valado dos Frades, Benedita, Ericeira, Lisboa, Amareleja (Beja), Santarém, Coimbra, Belas (Queluz), Entroncamento e Castelo de Sesimbra, num total de 17 comunidades. Também tem comunidades na Bélgica, Luxemburgo, Brasil, Guiné Bissau, Angola e Moçambique.

Departamento da Pastoral Juvenil apresenta proposta para a Quaresma

Diocese da Guarda “Uma caminhada voltada para ti mesmo, para os teus sentimentos e atitudes” é a proposta que o Departamento da Pastoral Juvenil da Guarda está a fazer aos jovens da Diocese da Guarda tendo em vista a vivência da Quaresma. Com o tema "Do coração à Cruz” esta dinâmica da Quaresma convida os jovens “a contemplar, em cada Domingo, a atitude que brota do Evangelho” e a torná-la pessoal “ao longo da semana”.
Na proposta o Departamento explica: “No início da dinâmica, o coração deve envolver a cruz, se for em 3D, ou sobrepor-se à cruz, se for em 2D. A cada Domingo, uma peça do coração é removida de modo a que a cruz fique destapada totalmente no Domingo de Ramos. No Domingo de Páscoa deverá colocar-se uma faixa branca na mesma”. E acrescenta: “Em cada Domingo, após a homilia ou noutro momento considerado oportuno, será lida uma pequena admonição enquanto se desmonta a peça com a atitude da semana. No pós-Comunhão, será feita uma oração que é entregue à comunidade na peça de cartolina com a atitude da semana. Cada pessoa poderá ir reconstruindo o ‘seu’ coração, em casa, ao longo da dinâmica”. O Padre Rui Manique, responsável pelo Departamento adianta que “à medida que desconstruíres o coração, vais sentir-te cada vez mais próximo de alcançar a Cruz, um meio não de dor, mas de libertação”.

Mensagem de D. Manuel Felício para a Quaresma 2015

Fortalecer a nossa responsabilidade missionária contra a globalização da indiferença
O Santo Padre, o Papa Francisco, na sua mensagem para a Quaresma, alerta-nos sobre o que ele chama a globalização da indiferença. Ora, a Quaresma é o grande retiro do Povo de Deus. E um retiro é sempre tempo para fazer revisão das atitudes fundamentais da nossa vida, nesta caso, das atitudes que nos aproximam ou afastam uns dos outros, tanto os que estão perto como os que estão longe. Vamos, assim, ter pela frente 40 dias de preparação para a Páscoa, em que nos queremos deixar interpelar pela pessoa de Cristo e o Seu Evangelho sobre a nossa Fé e as suas consequências na vida pessoal e da sociedade. Jesus Cristo, desde a sua encarnação, é o braço estendido de Deus ao encontro de toda a humanidade; e a Igreja tem o encargo de o tornar bem visível, diante do mundo, para salvação de todos. Para cumprir este mandato, ela tem de aprender a viver menos para si própria e mais voltada para fora, ao encontro do mundo e das pessoas, a quem se destina a Boa Nova de Cristo. É certamente por isso que o Papa Francisco, na sua mensagem para esta Quaresma, insiste em que “cada comunidade é chamada a atravessar o limiar que a coloca em relação com a sociedade circundante, sobretudo com os pobres e com os incrédulos”. Isto, porque, continua ele, “a Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens”. Para dar expressão a esta responsabilidade missionária queremos valorizar, especialmente nesta quaresma, o Centro Missionário D. João de Oliveira Matos que a Liga dos Servos de Jesus está a promover em Angola, na Diocese de Sumbe. Este Centro Missionário para já é uma escola que funciona desde há um ano a esta parte, mas pretende ser muito mais do que isso. Já foram ensaiadas algumas experiências de catequese e formação de adultos, que queremos continuar a desenvolver. Desejamos que ele possa vir a ser cada vez mais a expressão privilegiada da responsabilidade missionária da Diocese da Guarda, que tem notável história de ligação a congregações e institutos missionários, principalmente pelo elevado número de missionários e missionárias que daqui partiram. E para valorizar esta presença da Diocese da Guarda em terras de missão, neste caso em Angola, procurámos ajuda junto da FEC – Fundação Fé e Cooperação, criada em 1990 pela Conferência Episcopal Portuguesa, no âmbito das comemorações dos 5 séculos de evangelização das terras descobertas pelos portugueses, a qual se dispõe a dar-nos duas preciosas cooperações. Uma delas é organizar, com apoio garantido no local, um programa de formação complementar dos professores da Escola do Centro Missionário D. João de Oliveira Matos. A sua experiência, ao longo de 25 anos nesta área da formação de professores, através dos PALOPS, sobretudo na Guiné, dentro do espírito e das orientações da Escola Católica, é para nós importante. A outra é ajudar-nos a organizar programas de formação de adultos adaptados às situações locais. No horizonte fica ainda a possibilidade de implementar connosco um outro programa de sensibilização sobre direitos humanos, à luz da Doutrina Social da Igreja, que já está a ser experimentado em algumas zonas de Angola. Este conjunto de iniciativas, precisamos de as desenvolver também com a cooperação dos serviços da Conferência Episcopal de Angola (CEAST), sobretudo com o departamento da Escola Católica e com o máximo aproveitamento dos serviços diocesanos da Diocese de Sumbe. E para isso contamos também com a sua preciosa ajuda. Como expressão da nossa solidariedade para com os muitos e valiosos serviços realizados pela FEC, através dos países de língua oficial portuguesa, com destaque para a Guiné/Bissau, vamos destinar-lhe, este ano, a nossa renúncia quaresmal. Lembramos que o Centro Missionário D. João de Oliveira Matos, em Angola, está num município com 100 000 habitantes, sem qualquer estrada asfaltada e com todas as carências que possamos imaginar, sobretudo de energia eléctrica e água potável. Sendo assim, a nossa aposta missionária é mesmo na periferia das periferias. Deixemo-nos acompanhar pela oração do Papa Francisco, quando diz, ao terminar a sua mensagem: “Amados irmãos e irmãs, nesta quaresma desejo rezar convosco a Cristo: fac cor nostrum secundum cor tuum – fazei o meu coração semelhante ao vosso”. E acrescenta: “teremos, assim, um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo, nem cai na vertigem da globalização da indiferença”. Guarda, 7 de fevereiro de 2015 +Manuel R. Felício, Bispo da Guarda

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A QUARESMA DE 2015

Fortalecei os vossos corações (Tg 5, 8) Amados irmãos e irmãs, Tempo de renovação para a Igreja, para as comunidades e para cada um dos fiéis, a Quaresma é sobretudo um «tempo favorável» de graça (cf. 2 Cor 6, 2). Deus nada nos pede, que antes não no-lo tenha dado: «Nós amamos, porque Ele nos amou primeiro» (1 Jo 4, 19). Ele não nos olha com indiferença; pelo contrário, tem a peito cada um de nós, conhece-nos pelo nome, cuida de nós e vai à nossa procura, quando O deixamos. Interessa-Se por cada um de nós; o seu amor impede-Lhe de ficar indiferente perante aquilo que nos acontece. Coisa diversa se passa connosco! Quando estamos bem e comodamente instalados, esquecemo-nos certamente dos outros (isto, Deus Pai nunca o faz!), não nos interessam os seus problemas, nem as tribulações e injustiças que sofrem; e, assim, o nosso coração cai na indiferença: encontrando-me relativamente bem e confortável, esqueço-me dos que não estão bem! Hoje, esta atitude egoísta de indiferença atingiu uma dimensão mundial tal que podemos falar de uma globalização da indiferença. Trata-se de um mal-estar que temos obrigação, como cristãos, de enfrentar. Quando o povo de Deus se converte ao seu amor, encontra resposta para as questões que a história continuamente nos coloca. E um dos desafios mais urgentes, sobre o qual me quero deter nesta Mensagem, é o da globalização da indiferença. Dado que a indiferença para com o próximo e para com Deus é uma tentação real também para nós, cristãos, temos necessidade de ouvir, em cada Quaresma, o brado dos profetas que levantam a voz para nos despertar. A Deus não Lhe é indiferente o mundo, mas ama-o até ao ponto de entregar o seu Filho pela salvação de todo o homem. Na encarnação, na vida terrena, na morte e ressurreição do Filho de Deus, abre-se definitivamente a porta entre Deus e o homem, entre o Céu e a terra. E a Igreja é como a mão que mantém aberta esta porta, por meio da proclamação da Palavra, da celebração dos Sacramentos, do testemunho da fé que se torna eficaz pelo amor (cf. Gl 5, 6). O mundo, porém, tende a fechar-se em si mesmo e a fechar a referida porta através da qual Deus entra no mundo e o mundo n'Ele. Sendo assim, a mão, que é a Igreja, não deve jamais surpreender-se, se se vir rejeitada, esmagada e ferida. Por isso, o povo de Deus tem necessidade de renovação, para não cair na indiferença nem se fechar em si mesmo. Tendo em vista esta renovação, gostaria de vos propor três textos para a vossa meditação. 1. «Se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros» (1 Cor 12, 26): A Igreja. Com o seu ensinamento e sobretudo com o seu testemunho, a Igreja oferece-nos o amor de Deus, que rompe esta reclusão mortal em nós mesmos que é a indiferença. Mas, só se pode testemunhar algo que antes experimentámos. O cristão é aquele que permite a Deus revesti-lo da sua bondade e misericórdia, revesti-lo de Cristo para se tornar, como Ele, servo de Deus e dos homens. Bem no-lo recorda a liturgia de Quinta-feira Santa com o rito do lava-pés.
Pedro não queria que Jesus lhe lavasse os pés, mas depois compreendeu que Jesus não pretendia apenas exemplificar como devemos lavar os pés uns aos outros; este serviço, só o pode fazer quem, primeiro, se deixou lavar os pés por Cristo. Só essa pessoa «tem a haver com Ele» (cf. Jo 13, 8), podendo assim servir o homem. A Quaresma é um tempo propício para nos deixarmos servir por Cristo e, deste modo, tornarmo-nos como Ele. Verifica-se isto quando ouvimos a Palavra de Deus e recebemos os sacramentos, nomeadamente a Eucaristia. Nesta, tornamo-nos naquilo que recebemos: o corpo de Cristo. Neste corpo, não encontra lugar a tal indiferença que, com tanta frequência, parece apoderar-se dos nossos corações; porque, quem é de Cristo, pertence a um único corpo e, n'Ele, um não olha com indiferença o outro. «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria» (1 Cor 12, 26). A Igreja é communio sanctorum, não só porque, nela, tomam parte os Santos mas também porque é comunhão de coisas santas: o amor de Deus, que nos foi revelado em Cristo, e todos os seus dons; e, entre estes, há que incluir também a resposta de quantos se deixam alcançar por tal amor. Nesta comunhão dos Santos e nesta participação nas coisas santas, aquilo que cada um possui, não o reserva só para si, mas tudo é para todos. E, dado que estamos interligados em Deus, podemos fazer algo mesmo pelos que estão longe, por aqueles que não poderíamos jamais, com as nossas simples forças, alcançar: rezamos com eles e por eles a Deus, para que todos nos abramos à sua obra de salvação. 2. «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9): As paróquias e as comunidades Tudo o que se disse a propósito da Igreja universal é necessário agora traduzi-lo na vida das paróquias e comunidades. Nestas realidades eclesiais, consegue-se porventura experimentar que fazemos parte de um único corpo? Um corpo que, simultaneamente, recebe e partilha aquilo que Deus nos quer dar? Um corpo que conhece e cuida dos seus membros mais frágeis, pobres e pequeninos? Ou refugiamo-nos num amor universal pronto a comprometer-se lá longe no mundo, mas que esquece o Lázaro sentado à sua porta fechada (cf. Lc 16, 19-31)? Para receber e fazer frutificar plenamente aquilo que Deus nos dá, deve-se ultrapassar as fronteiras da Igreja visível em duas direcções. Em primeiro lugar, unindo-nos à Igreja do Céu na oração. Quando a Igreja terrena reza, instaura-se reciprocamente uma comunhão de serviços e bens que chega até à presença de Deus. Juntamente com os Santos, que encontraram a sua plenitude em Deus, fazemos parte daquela comunhão onde a indiferença é vencida pelo amor. A Igreja do Céu não é triunfante, porque deixou para trás as tribulações do mundo e usufrui sozinha do gozo eterno; antes pelo contrário, pois aos Santos é concedido já contemplar e rejubilar com o facto de terem vencido definitivamente a indiferença, a dureza de coração e o ódio, graças à morte e ressurreição de Jesus. E, enquanto esta vitória do amor não impregnar todo o mundo, os Santos caminham connosco, que ainda somos peregrinos. Convicta de que a alegria no Céu pela vitória do amor crucificado não é plena enquanto houver, na terra, um só homem que sofra e gema, escrevia Santa Teresa de Lisieux, doutora da Igreja: «Muito espero não ficar inactiva no Céu; o meu desejo é continuar a trabalhar pela Igreja e pelas almas» (Carta 254, de 14 de Julho de 1897). Também nós participamos dos méritos e da alegria dos Santos e eles tomam parte na nossa luta e no nosso desejo de paz e reconciliação. Para nós, a sua alegria pela vitória de Cristo ressuscitado é origem de força para superar tantas formas de indiferença e dureza de coração. Em segundo lugar, cada comunidade cristã é chamada a atravessar o limiar que a põe em relação com a sociedade circundante, com os pobres e com os incrédulos. A Igreja é, por sua natureza, missionária, não fechada em si mesma, mas enviada a todos os homens. Esta missão é o paciente testemunho d'Aquele que quer conduzir ao Pai toda a realidade e todo o homem. A missão é aquilo que o amor não pode calar. A Igreja segue Jesus Cristo pela estrada que a conduz a cada homem, até aos confins da terra (cf. Act 1, 8). Assim podemos ver, no nosso próximo, o irmão e a irmã pelos quais Cristo morreu e ressuscitou. Tudo aquilo que recebemos, recebemo-lo também para eles. E, vice-versa, tudo o que estes irmãos possuem é um dom para a Igreja e para a humanidade inteira. Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença! 3. «Fortalecei os vossos corações» (Tg 5, 8): Cada um dos fiéis Também como indivíduos temos a tentação da indiferença. Estamos saturados de notícias e imagens impressionantes que nos relatam o sofrimento humano, sentindo ao mesmo tempo toda a nossa incapacidade de intervir. Que fazer para não nos deixarmos absorver por esta espiral de terror e impotência? Em primeiro lugar, podemos rezar na comunhão da Igreja terrena e celeste. Não subestimemos a força da oração de muitos! A iniciativa 24 horas para o Senhor, que espero se celebre em toda a Igreja – mesmo a nível diocesano – nos dias 13 e 14 de Março, pretende dar expressão a esta necessidade da oração. Em segundo lugar, podemos levar ajuda, com gestos de caridade, tanto a quem vive próximo de nós como a quem está longe, graças aos inúmeros organismos caritativos da Igreja. A Quaresma é um tempo propício para mostrar este interesse pelo outro, através de um sinal – mesmo pequeno, mas concreto – da nossa participação na humanidade que temos em comum. E, em terceiro lugar, o sofrimento do próximo constitui um apelo à conversão, porque a necessidade do irmão recorda-me a fragilidade da minha vida, a minha dependência de Deus e dos irmãos. Se humildemente pedirmos a graça de Deus e aceitarmos os limites das nossas possibilidades, então confiaremos nas possibilidades infinitas que tem de reserva o amor de Deus. E poderemos resistir à tentação diabólica que nos leva a crer que podemos salvar-nos e salvar o mundo sozinhos. Para superar a indiferença e as nossas pretensões de omnipotência, gostaria de pedir a todos para viverem este tempo de Quaresma como um percurso de formação do coração, a que nos convidava Bento XVI (Carta enc. Deus caritas est, 31). Ter um coração misericordioso não significa ter um coração débil. Quem quer ser misericordioso precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo, um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro. Por isso, amados irmãos e irmãs, nesta Quaresma desejo rezar convosco a Cristo: «Fac cor nostrum secundum cor tuum – Fazei o nosso coração semelhante ao vosso» (Súplica das Ladainhas ao Sagrado Coração de Jesus). Teremos assim um coração forte e misericordioso, vigilante e generoso, que não se deixa fechar em si mesmo nem cai na vertigem da globalização da indiferença. Com estes votos, asseguro a minha oração por cada crente e cada comunidade eclesial para que percorram, frutuosamente, o itinerário quaresmal, enquanto, por minha vez, vos peço que rezeis por mim. Que o Senhor vos abençoe e Nossa Senhora vos guarde! Vaticano, Festa de São Francisco de Assis, 4 de Outubro de 2014. Francisco

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Homilia da Vigília Pascal

Extracto da Homilia da Vigília Pascal

Cristo está vivo no meio de nós. Alegremo-nos e cantemos aleluia, nesta Vigília Pascal, mãe de todas as vigílias e o centro de todo o nosso ano litúrgico.

Toda a caminhada quaresmal nos orientou para esta Vigília; desta mesma Vigília parte um especial dinamismo de vida nova em Cristo ressuscitado que repercute não só na oitava da Páscoa , que vamos viver como sendo um  domingo continuado, mas também na cinquentena pascal que culmina no Pentecostes, com a descida do Espírito Santo sobre toda a Igreja.

 

 

A surpresa das mulheres que encontraram o sepulcro vazio e o percurso interior que, a seguir, fizeram para concluir que Ele ressuscitou tem de ser também a nossa surpresa e o nosso percurso espiritual, neste tempo de Páscoa. Esta surpresa tem de aparecer clara nas nossas vidas para surpreender o próprio mundo, que precisa de novas rezões de esperança. E Jesus Ressuscitado é a grande esperança para a Igreja e para o mundo. Nós somos convidados por Ele a deixarmos que na nossa vida pessoal e na vida das nossas comunidades transpareça de verdade este grande acontecimento da Sua Ressurreição. Agradecemos a Deus o dom do novo Papa que acaba de ser eleito. Ele vem com vontade de ajudar a Igreja a ser cada vez mais transparente à novidade de Cristo Vivo. Ele próprio já deu muitos sinais de que a nota dominante da sua vida pessoal é deixar que a novidade de Cristo se manifeste. Vai continuar a pedi-lo certamente a todas as instâncias da Igreja, desde a Cúria Romana, às Conferências Episcopais, aos bispos, aos padres, aos diáconos aos de especial consagração. Vai certamente  pedi-lo a todas as estruturas da Igreja cuja razão de ser é viver de Jesus Ressuscitado e apresentá-lo de tal modo que o mundo creia.

Santa Páscoa para todos vós e vossas famílias.